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Tempo médio: 10-15 minNível técnico: Intermediário

PPPoE - Diagnóstico de Desconexões por Keepalive Timeout

Objetivo

Orientar o diagnóstico de clientes que apresentam desconexões frequentes da sessão PPPoE, mesmo sem perda aparente de sinal óptico, reinicialização do concentrador ou indisponibilidade geral do serviço.
O objetivo deste documento é ajudar a identificar em qual ponto do caminho entre o cliente e o concentrador PPPoE ocorre a interrupção de comunicação.

Entendendo o Keepalive PPPoE

Após o estabelecimento de uma sessão PPPoE, o cliente e o concentrador permanecem trocando mensagens periódicas de controle.
Essas mensagens permitem verificar se a comunicação lógica entre as duas extremidades continua ativa.
Quando o concentrador deixa de receber resposta dentro do tempo esperado, considera que a sessão foi interrompida e realiza a desconexão.
Em ambientes MikroTik, isso normalmente aparece nos logs por mensagens semelhantes a:
terminating... - peer is not responding
LCP missed too many echo requests
disconnected
Em seguida, o cliente pode autenticar novamente poucos segundos depois.

O que o log realmente significa

Uma desconexão por Keepalive Timeout não significa, por si só, que o servidor PPPoE esteja com defeito.
Ela indica apenas que o concentrador deixou de receber resposta do cliente durante determinado período.
Essa interrupção pode ocorrer em qualquer ponto do caminho:
Cliente
   │
Roteador ou CPE
   │
Cabo Ethernet
   │
ONU
   │
Rede óptica
   │
OLT
   │
Rede de transporte
   │
Concentrador PPPoE
O diagnóstico deve localizar em qual ponto ocorreu a perda de comunicação.

Primeira análise

Antes de iniciar testes, é necessário identificar o alcance do problema.
Verificar:
  • Apenas um cliente apresenta a falha?
  • Alguns clientes apresentam a falha?
  • Todos os clientes apresentam a falha?
  • Os clientes afetados pertencem à mesma OLT?
  • Estão na mesma PON?
  • Utilizam o mesmo splitter?
  • Passam pela mesma VLAN?
  • Utilizam o mesmo enlace de transporte?
  • Estão no mesmo concentrador PPPoE?
  • As desconexões ocorrem no mesmo horário?
  • As reconexões são simultâneas ou aleatórias?
Essas respostas ajudam a determinar se a causa está no cliente, na rede de acesso, na rede de transporte ou no concentrador.

Cenário 1 - Apenas um cliente

Quando somente um cliente apresenta desconexões, a investigação deve começar no acesso individual.
Possíveis causas:
  • reinicialização do roteador;
  • reinicialização da ONU;
  • fonte de alimentação instável;
  • defeito no roteador;
  • defeito na ONU;
  • cabo Ethernet danificado;
  • conector RJ45 oxidado ou mal crimpado;
  • porta Ethernet instável;
  • potência óptica próxima ao limite;
  • perda momentânea de comunicação entre ONU e roteador;
  • travamento ou sobrecarga do equipamento do cliente.
Verificar:
  • uptime da ONU;
  • uptime do roteador;
  • histórico de registro da ONU;
  • histórico de reinicialização;
  • níveis ópticos de RX e TX;
  • erros na porta Ethernet da ONU;
  • negociação de velocidade e duplex;
  • qualidade da fonte de alimentação;
  • estado do cabeamento entre ONU e roteador.
Uma ONU pode permanecer registrada na OLT e, ainda assim, perder momentaneamente a comunicação Ethernet com o roteador.

Cenário 2 - Alguns clientes

Quando apenas alguns clientes apresentam a falha, deve-se procurar um ponto em comum entre eles.
Verificar se os clientes afetados compartilham:
  • a mesma OLT;
  • a mesma PON;
  • o mesmo splitter;
  • a mesma caixa de atendimento;
  • o mesmo enlace;
  • a mesma VLAN;
  • o mesmo switch;
  • o mesmo rádio;
  • o mesmo caminho até o concentrador.
Possíveis causas:
  • instabilidade em uma PON;
  • falha em splitter ou caixa óptica;
  • perda de pacotes em enlace compartilhado;
  • interface com erros CRC;
  • porta de switch instável;
  • loop de camada 2;
  • flapping de interface;
  • VLAN com problema;
  • saturação de enlace;
  • enlace rádio instável;
  • falha intermediária entre OLT e concentrador.
A correlação geográfica e lógica entre os clientes afetados é fundamental para localizar o ponto comum.

Cenário 3 - Todos os clientes de um concentrador

Quando todos os clientes de um concentrador desconectam aproximadamente no mesmo horário, verificar:
  • reinicialização do concentrador;
  • CPU elevada;
  • falta de memória;
  • travamento do serviço PPPoE;
  • perda de comunicação com as OLTs;
  • falha no enlace principal;
  • falha de energia;
  • interface de uplink instável;
  • loop de camada 2;
  • alteração de rota;
  • indisponibilidade de VLAN;
  • saturação do equipamento;
  • falha em switch ou roteador intermediário.
Nesse cenário, a causa tende a estar na infraestrutura compartilhada e não nas ONUs individuais.

Verificações na ONU

Mesmo quando não existe LOS ou perda de registro, verificar:
  • potência óptica recebida;
  • potência óptica transmitida;
  • quantidade de desregistros;
  • tempo online;
  • histórico de reinicialização;
  • erros FEC;
  • erros Ethernet;
  • velocidade negociada;
  • duplex;
  • flapping da interface Ethernet;
  • temperatura do equipamento;
  • qualidade da alimentação.
A ausência de LOS não comprova que a comunicação Ethernet ou lógica permaneceu estável.

Verificações na OLT

Na OLT, verificar:
  • histórico de registro e desregistro da ONU;
  • eventos de dying gasp;
  • alarmes da PON;
  • erros FEC;
  • perda de pacotes;
  • utilização da PON;
  • erros de uplink;
  • flapping de interfaces;
  • VLAN associada ao cliente;
  • alterações de configuração;
  • eventos ocorridos no mesmo horário das desconexões.
Também é importante comparar os horários registrados na OLT com os horários do log PPPoE.

Verificações no concentrador PPPoE

No concentrador, verificar:
  • uso de CPU;
  • uso de memória;
  • quantidade de sessões ativas;
  • consumo de recursos;
  • interface de entrada das conexões PPPoE;
  • erros de interface;
  • perda de pacotes;
  • saturação;
  • filas;
  • logs de reinicialização;
  • flapping de interfaces;
  • mensagens de LCP;
  • horários exatos das desconexões.
Quando possível, verificar se os clientes afetados entram pela mesma interface, VLAN ou bridge.

Verificações na rede de transporte

Entre a OLT e o concentrador, verificar:
  • perda de pacotes;
  • aumento de latência;
  • jitter;
  • erros CRC;
  • drops;
  • interfaces saturadas;
  • velocidade negociada incorretamente;
  • duplex incompatível;
  • flapping;
  • loops;
  • STP;
  • RSTP;
  • VLAN incorreta;
  • trunks inconsistentes;
  • enlaces rádio instáveis;
  • mudanças de rota;
  • indisponibilidade momentânea de equipamentos intermediários.
A sessão PPPoE depende da continuidade da comunicação de camada 2 entre o cliente e o concentrador.

Possíveis causas

Uma perda de Keepalive pode ser causada por:
  • reinicialização do equipamento do cliente;
  • fonte de alimentação instável;
  • defeito no roteador;
  • defeito na ONU;
  • defeito na porta Ethernet;
  • cabo Ethernet danificado;
  • conector mal crimpado ou oxidado;
  • potência óptica próxima ao limite;
  • ONU instável;
  • OLT apresentando perda momentânea;
  • erro em VLAN;
  • interface com CRC;
  • loop de camada 2;
  • flapping de interface;
  • saturação de CPU;
  • saturação de memória;
  • saturação de enlace;
  • perda de comunicação entre OLT e concentrador;
  • switch intermediário instável;
  • enlace rádio instável;
  • falha de energia;
  • alteração de rota;
  • problema físico na rede.
A mensagem de Keepalive Timeout não identifica qual dessas causas ocorreu.
A causa raiz só pode ser determinada pela correlação entre sintomas, horários e evidências coletadas.

Evidências a coletar

Antes de concluir o diagnóstico, registrar:
  • login PPPoE;
  • nome do cliente;
  • horário exato das desconexões;
  • quantidade de reconexões;
  • concentrador PPPoE;
  • interface ou VLAN utilizada;
  • OLT;
  • PON;
  • ONU;
  • splitter ou caixa de atendimento;
  • níveis ópticos de RX e TX;
  • uptime da ONU;
  • uptime do roteador;
  • histórico de registro da ONU;
  • eventos de dying gasp;
  • log do concentrador;
  • log da OLT;
  • CPU do concentrador;
  • memória do concentrador;
  • erros de interface;
  • perda de pacotes;
  • latência entre OLT e concentrador;
  • equipamentos intermediários no caminho.
Essas informações permitem identificar padrões e correlacionar ocorrências entre clientes distintos.

Fluxo recomendado de diagnóstico

1. Confirmar a quantidade de clientes afetados.
2. Identificar se existe ponto comum entre eles.
3. Registrar o horário exato das desconexões.
4. Verificar o log do concentrador PPPoE.
5. Confirmar se a ONU permaneceu registrada.
6. Verificar o uptime da ONU.
7. Verificar o uptime do roteador.
8. Conferir níveis ópticos de RX e TX.
9. Verificar erros Ethernet na ONU.
10. Verificar eventos na OLT.
11. Verificar perda de pacotes entre OLT e concentrador.
12. Verificar interfaces, VLANs e enlaces compartilhados.
13. Conferir CPU e memória do concentrador.
14. Correlacionar todos os horários.
15. Somente após essa análise definir a causa provável.

Erros comuns no diagnóstico

Evitar conclusões imediatas como:
  • “é problema do servidor PPPoE”;
  • “é problema da OLT”;
  • “é sinal óptico”;
  • “é o roteador do cliente”;
  • “é problema de energia”.
A mensagem de Keepalive apenas informa que houve perda temporária de comunicação.
Ela não identifica automaticamente onde ocorreu a falha.

Exemplo de interpretação

Situação

Um cliente apresenta várias reconexões PPPoE durante o dia.
A ONU permanece registrada e o nível óptico está dentro do esperado.

Interpretação correta

O sinal óptico adequado e a ausência de LOS não descartam:
  • reinicialização do roteador;
  • falha no cabo Ethernet;
  • instabilidade na porta LAN da ONU;
  • perda momentânea na VLAN;
  • falha no transporte até o concentrador.
O próximo passo é verificar uptime, erros Ethernet, horários e pontos compartilhados.

Conclusão

Desconexões por Keepalive Timeout representam perda temporária de comunicação entre o cliente e o concentrador PPPoE.
Essa perda pode ocorrer no equipamento do cliente, na ONU, na OLT, na rede óptica, na rede de transporte ou no próprio concentrador.
O diagnóstico deve ser baseado em evidências e correlação de eventos.
A análise isolada do log PPPoE não é suficiente para determinar a causa raiz.