# PPPoE - Diagnóstico de Desconexões por Keepalive Timeout

## Objetivo

Orientar o diagnóstico de clientes que apresentam desconexões frequentes da sessão PPPoE, mesmo sem perda aparente de sinal óptico, reinicialização do concentrador ou indisponibilidade geral do serviço.

O objetivo deste documento é ajudar a identificar em qual ponto do caminho entre o cliente e o concentrador PPPoE ocorre a interrupção de comunicação.

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## Entendendo o Keepalive PPPoE

Após o estabelecimento de uma sessão PPPoE, o cliente e o concentrador permanecem trocando mensagens periódicas de controle.

Essas mensagens permitem verificar se a comunicação lógica entre as duas extremidades continua ativa.

Quando o concentrador deixa de receber resposta dentro do tempo esperado, considera que a sessão foi interrompida e realiza a desconexão.

Em ambientes MikroTik, isso normalmente aparece nos logs por mensagens semelhantes a:

```text
terminating... - peer is not responding
```

```text
LCP missed too many echo requests
```

```text
disconnected
```

Em seguida, o cliente pode autenticar novamente poucos segundos depois.

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## O que o log realmente significa

Uma desconexão por Keepalive Timeout não significa, por si só, que o servidor PPPoE esteja com defeito.

Ela indica apenas que o concentrador deixou de receber resposta do cliente durante determinado período.

Essa interrupção pode ocorrer em qualquer ponto do caminho:

```text
Cliente
   │
Roteador ou CPE
   │
Cabo Ethernet
   │
ONU
   │
Rede óptica
   │
OLT
   │
Rede de transporte
   │
Concentrador PPPoE
```

O diagnóstico deve localizar em qual ponto ocorreu a perda de comunicação.

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## Primeira análise

Antes de iniciar testes, é necessário identificar o alcance do problema.

Verificar:

- Apenas um cliente apresenta a falha?
- Alguns clientes apresentam a falha?
- Todos os clientes apresentam a falha?
- Os clientes afetados pertencem à mesma OLT?
- Estão na mesma PON?
- Utilizam o mesmo splitter?
- Passam pela mesma VLAN?
- Utilizam o mesmo enlace de transporte?
- Estão no mesmo concentrador PPPoE?
- As desconexões ocorrem no mesmo horário?
- As reconexões são simultâneas ou aleatórias?

Essas respostas ajudam a determinar se a causa está no cliente, na rede de acesso, na rede de transporte ou no concentrador.

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## Cenário 1 - Apenas um cliente

Quando somente um cliente apresenta desconexões, a investigação deve começar no acesso individual.

Possíveis causas:

- reinicialização do roteador;
- reinicialização da ONU;
- fonte de alimentação instável;
- defeito no roteador;
- defeito na ONU;
- cabo Ethernet danificado;
- conector RJ45 oxidado ou mal crimpado;
- porta Ethernet instável;
- potência óptica próxima ao limite;
- perda momentânea de comunicação entre ONU e roteador;
- travamento ou sobrecarga do equipamento do cliente.

Verificar:

- uptime da ONU;
- uptime do roteador;
- histórico de registro da ONU;
- histórico de reinicialização;
- níveis ópticos de RX e TX;
- erros na porta Ethernet da ONU;
- negociação de velocidade e duplex;
- qualidade da fonte de alimentação;
- estado do cabeamento entre ONU e roteador.

Uma ONU pode permanecer registrada na OLT e, ainda assim, perder momentaneamente a comunicação Ethernet com o roteador.

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## Cenário 2 - Alguns clientes

Quando apenas alguns clientes apresentam a falha, deve-se procurar um ponto em comum entre eles.

Verificar se os clientes afetados compartilham:

- a mesma OLT;
- a mesma PON;
- o mesmo splitter;
- a mesma caixa de atendimento;
- o mesmo enlace;
- a mesma VLAN;
- o mesmo switch;
- o mesmo rádio;
- o mesmo caminho até o concentrador.

Possíveis causas:

- instabilidade em uma PON;
- falha em splitter ou caixa óptica;
- perda de pacotes em enlace compartilhado;
- interface com erros CRC;
- porta de switch instável;
- loop de camada 2;
- flapping de interface;
- VLAN com problema;
- saturação de enlace;
- enlace rádio instável;
- falha intermediária entre OLT e concentrador.

A correlação geográfica e lógica entre os clientes afetados é fundamental para localizar o ponto comum.

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## Cenário 3 - Todos os clientes de um concentrador

Quando todos os clientes de um concentrador desconectam aproximadamente no mesmo horário, verificar:

- reinicialização do concentrador;
- CPU elevada;
- falta de memória;
- travamento do serviço PPPoE;
- perda de comunicação com as OLTs;
- falha no enlace principal;
- falha de energia;
- interface de uplink instável;
- loop de camada 2;
- alteração de rota;
- indisponibilidade de VLAN;
- saturação do equipamento;
- falha em switch ou roteador intermediário.

Nesse cenário, a causa tende a estar na infraestrutura compartilhada e não nas ONUs individuais.

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## Verificações na ONU

Mesmo quando não existe LOS ou perda de registro, verificar:

- potência óptica recebida;
- potência óptica transmitida;
- quantidade de desregistros;
- tempo online;
- histórico de reinicialização;
- erros FEC;
- erros Ethernet;
- velocidade negociada;
- duplex;
- flapping da interface Ethernet;
- temperatura do equipamento;
- qualidade da alimentação.

A ausência de LOS não comprova que a comunicação Ethernet ou lógica permaneceu estável.

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## Verificações na OLT

Na OLT, verificar:

- histórico de registro e desregistro da ONU;
- eventos de dying gasp;
- alarmes da PON;
- erros FEC;
- perda de pacotes;
- utilização da PON;
- erros de uplink;
- flapping de interfaces;
- VLAN associada ao cliente;
- alterações de configuração;
- eventos ocorridos no mesmo horário das desconexões.

Também é importante comparar os horários registrados na OLT com os horários do log PPPoE.

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## Verificações no concentrador PPPoE

No concentrador, verificar:

- uso de CPU;
- uso de memória;
- quantidade de sessões ativas;
- consumo de recursos;
- interface de entrada das conexões PPPoE;
- erros de interface;
- perda de pacotes;
- saturação;
- filas;
- logs de reinicialização;
- flapping de interfaces;
- mensagens de LCP;
- horários exatos das desconexões.

Quando possível, verificar se os clientes afetados entram pela mesma interface, VLAN ou bridge.

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## Verificações na rede de transporte

Entre a OLT e o concentrador, verificar:

- perda de pacotes;
- aumento de latência;
- jitter;
- erros CRC;
- drops;
- interfaces saturadas;
- velocidade negociada incorretamente;
- duplex incompatível;
- flapping;
- loops;
- STP;
- RSTP;
- VLAN incorreta;
- trunks inconsistentes;
- enlaces rádio instáveis;
- mudanças de rota;
- indisponibilidade momentânea de equipamentos intermediários.

A sessão PPPoE depende da continuidade da comunicação de camada 2 entre o cliente e o concentrador.

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## Possíveis causas

Uma perda de Keepalive pode ser causada por:

- reinicialização do equipamento do cliente;
- fonte de alimentação instável;
- defeito no roteador;
- defeito na ONU;
- defeito na porta Ethernet;
- cabo Ethernet danificado;
- conector mal crimpado ou oxidado;
- potência óptica próxima ao limite;
- ONU instável;
- OLT apresentando perda momentânea;
- erro em VLAN;
- interface com CRC;
- loop de camada 2;
- flapping de interface;
- saturação de CPU;
- saturação de memória;
- saturação de enlace;
- perda de comunicação entre OLT e concentrador;
- switch intermediário instável;
- enlace rádio instável;
- falha de energia;
- alteração de rota;
- problema físico na rede.

A mensagem de Keepalive Timeout não identifica qual dessas causas ocorreu.

A causa raiz só pode ser determinada pela correlação entre sintomas, horários e evidências coletadas.

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## Evidências a coletar

Antes de concluir o diagnóstico, registrar:

- login PPPoE;
- nome do cliente;
- horário exato das desconexões;
- quantidade de reconexões;
- concentrador PPPoE;
- interface ou VLAN utilizada;
- OLT;
- PON;
- ONU;
- splitter ou caixa de atendimento;
- níveis ópticos de RX e TX;
- uptime da ONU;
- uptime do roteador;
- histórico de registro da ONU;
- eventos de dying gasp;
- log do concentrador;
- log da OLT;
- CPU do concentrador;
- memória do concentrador;
- erros de interface;
- perda de pacotes;
- latência entre OLT e concentrador;
- equipamentos intermediários no caminho.

Essas informações permitem identificar padrões e correlacionar ocorrências entre clientes distintos.

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## Fluxo recomendado de diagnóstico

1. Confirmar a quantidade de clientes afetados.
2. Identificar se existe ponto comum entre eles.
3. Registrar o horário exato das desconexões.
4. Verificar o log do concentrador PPPoE.
5. Confirmar se a ONU permaneceu registrada.
6. Verificar o uptime da ONU.
7. Verificar o uptime do roteador.
8. Conferir níveis ópticos de RX e TX.
9. Verificar erros Ethernet na ONU.
10. Verificar eventos na OLT.
11. Verificar perda de pacotes entre OLT e concentrador.
12. Verificar interfaces, VLANs e enlaces compartilhados.
13. Conferir CPU e memória do concentrador.
14. Correlacionar todos os horários.
15. Somente após essa análise definir a causa provável.

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## Erros comuns no diagnóstico

Evitar conclusões imediatas como:

- “é problema do servidor PPPoE”;
- “é problema da OLT”;
- “é sinal óptico”;
- “é o roteador do cliente”;
- “é problema de energia”.

A mensagem de Keepalive apenas informa que houve perda temporária de comunicação.

Ela não identifica automaticamente onde ocorreu a falha.

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## Exemplo de interpretação

### Situação

Um cliente apresenta várias reconexões PPPoE durante o dia.

A ONU permanece registrada e o nível óptico está dentro do esperado.

### Interpretação correta

O sinal óptico adequado e a ausência de LOS não descartam:

- reinicialização do roteador;
- falha no cabo Ethernet;
- instabilidade na porta LAN da ONU;
- perda momentânea na VLAN;
- falha no transporte até o concentrador.

O próximo passo é verificar uptime, erros Ethernet, horários e pontos compartilhados.

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## Conclusão

Desconexões por Keepalive Timeout representam perda temporária de comunicação entre o cliente e o concentrador PPPoE.

Essa perda pode ocorrer no equipamento do cliente, na ONU, na OLT, na rede óptica, na rede de transporte ou no próprio concentrador.

O diagnóstico deve ser baseado em evidências e correlação de eventos.

A análise isolada do log PPPoE não é suficiente para determinar a causa raiz.